segunda-feira, 20 de junho de 2016

Papéis e sistema familiar. Qual é o seu?

Por Romina Miranda

No sistema familiar a ordem se dá por meio do respeito à hierarquia e às fronteiras que o regem. Sistemas filiais estão sob a autoridade do sistema parental e, antes deste, está o sistema conjugal. Maridos e esposas são diferentes de pais e, por sua vez, pais diferentes dos filhos. Cada um no seu lugar, cumprindo o seu papel mantém o sistema organizado, funcional e saudável.
De uma forma sutil, os papéis se desorganizam dentro do sistema sem que os seus integrantes percebam. Pais perdem autoridade para filhos e filhos passam a mandar na casa, papel que seria dos pais. Esposas passam a ser "mães" de seus maridos, assumindo responsabilidades que deveriam ser compartilhadas pelo casal. Filhos assumem o papel de pais de seus pais, dispensando a estes os cuidados que, na verdade, deveriam receber mas, por diversas fragilidades, os pais não podem dar.
Nestas desorganizações de papéis é que se instalam as disfunções, entre elas o uso e abuso de álcool e outras drogas.
Quando o olhar do terapeuta se estende à toda a família, um dos focos é justamente essa inversão de papéis e o seu reajuste para que o sistema familiar volte a funcionar da maneira adequada e saudável. Sozinhas, muitas vezes, as famílias não conseguem constatar essas inversões e, menos ainda, reformular os papéis.









segunda-feira, 11 de abril de 2016

Workshop Dependência Afetiva acontece em 21 de maio


Por que permanecemos em relacionamentos que nos fazem mal?
Por que insistimos em consertar o outro e abandonamos a nós mesmas?
Por que pensamos que nosso amor será capaz de salvar o outro de suas próprias mazelas?
Por que aceitamos abusos verbais, psicológicos e físicos, sempre justificando a ação do outro?
Por que a dor da separação é maior do que a da relação doentia?
Se você vivencia essas questões, venha participar do Workshop Dependência Afetiva para conhecer esta dinâmica e conhecer ferramentas para transformar as suas relações!
Informações e reservas pelo email rominarmiranda@gmail.com
Vagas limitadas!
Valor: R$ 100,00

Romina Miranda é jornalista, escritora, educadora, terapeuta de familias com formação em Terapia Familiar Sistêmica pela Unifesp, Pesquisadora da Uniad/Unifesp na área de famílias, coordenadora de grupos de cônjuges de Amor-Exigente e Coordenadora do Programa Recomeço Família - apoio e orientação a familiares de dependentes químicos - do governo do Estado de São Paulo.

terça-feira, 1 de março de 2016

Por que é tão difícil dizer não?


Frutos de uma geração que pregava a autoridade (não o autoritarismo!) como item primordial para a educação, cometemos o equívoco de querer fazer o contrário.
Havia uma época em que a hierarquia era respeitada na maioria das famílias. Pais faziam papel de pais, de orientadores, de educadores, preservando o afeto, sem perderem-se na necessidade de serem “amigos” dos filhos. Sem o estresse atual, promovido pelas diversas inconstâncias que nos cercam – concorrência no mercado de trabalho, violência, dificuldades financeiras e bombardeio de informações pela mídia – havia mais disponibilidade para estar presente na família, compartilhar, sentar à mesa para conversar. Era mais fácil ter acesso às necessidades básicas do seu humano: amor e pertencimento. Os pais não precisavam usar o “sim” como moeda de troca pela ausência emocional e nem pela necessidade de serem amados pelos filhos. O equilíbrio entre o amor e a exigência era mais presente nos lares.
Hoje, os valores mudaram, os papéis se inverteram e as famílias passaram a ser disfuncionais, ou seja, as suas funções não estão corretas. Pais têm receio de comandar a família e filhos sentem-se poderosos para isso. Os pais, na verdade, estão tomados pelo medo. É medo de apertar o cerco e não dar sustentar a decisão, medo de soltar demais as rédeas e perder o rumo, medo de dizer “não” e perder o afeto, a aceitação, “a amizade” que muitos consideram ser a relação necessária entre pais e filhos.
Porém, quando encorajados a começar a dizer “não”, sustentando a decisão pensada com coerência, os pais sentem-se empoderados, as rédeas da família passam para as suas mãos, a ordem volta a ser estabelecida e o sistema familiar passa a ser funcional.
O que precisamos, como pais, é separar as coisas. Mesmo vivendo em meio ao turbilhão de emoções em que vivemos, com inversões de valores, estresse financeiro, gatilhos negativos diários, numa era em que nos é roubado o tempo que gostaríamos de dedicar aos nossos filhos, precisamos manter os papéis. Continuar mantendo a função de orientadores, educadores e, principalmente, ter a consciência de que não será a sequência de “sins” que compensará todas as faltas que pensamos ter com nossos filhos ( afeto, tempo, presença). Mas, ao contrário. Lembrar que são os “nãos”, com amor e autoridade, que os farão cada vez mais resilientes para enfrentar o mundo conturbado em que eles também vivem.

Por Romina Miranda

O começo do recomeço


Caros leitores,
Com o objetivo de trazer novos conteúdos sobre o tema codependência, abrangendo não somente o apoio aos familiares de dependentes químicos, mas também àqueles que sofrem com a dependência afetiva, criamos a Comunidade Codependência.
Neste mês de março, iniciaremos uma série de publicações de textos e de vídeos em nossas mídias sociais, onde também serão postadas as divulgações de futuros eventos, cursos, palestras e atividades diversas da Comunidade Codependência, em que vocês, nossos seguidores, poderão participar.
Acompanhe-nos: Instagram, Facebook e Youtube.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Workshop de Codependência acontecerá em Outubro

No dia 24 de outubro, em São Paulo, será realizado o Workshop "Codependência - Colorindo a sombra", com Romina Miranda.
Com conteúdo teórico, prático-vivencial, o evento tratará o tema sob a ótica sistêmica, analisando padrões familiares, papéis assumidos na família de origem e atual, disfunções nos relacionamentos conjugais, parentais ou filiais, além de elencar os comportamentos e sentimentos relacionados à codependência, auxiliando o participante na identificação de suas características codependentes.
A proposta também inclui a construção de novas formas de relacionamentos consigo e com os outros, por meio do resgate da autonomia em relação às escolhas, à responsabilidade pela própria vida, além da atenção especial aos aprendizados na comunicação, na resolução de conflitos, no gerenciamento de limites , numa nova forma de viver, com padrões saudáveis de interação.
Para informações e reservas, os interessados devem enviar email para codependencia.anonimos@gmail.com.
O valor para a participação é de R$ 200,00 e as vagas são limitadas; apenas 30 pessoas no curso.

Workshop "Codependência - Colorindo a sombra"
Data: 24/10/2015
Horário: 9 às 17h
Local: Rua Dr. Neto de Araújo, 363 - Vila Mariana


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Minha responsabilidade, somente minha

Durante o desenvolvimento do comportamento codependente, costumamos entregar nossa felicidade nas mãos de muitas pessoas. Se o parceiro estivesse bem , nós estaríamos, se ele nos fizesse bem, poderíamos ser felizes, se ele nos desse atenção, nos alegraríamos. O oposto também ocorria. Se ele não correspondesse à todas as nossas expectativas ( e que não eram poucas!), estaríamos satisfeitas ( ou quase!). Até que por algum motivo, o vazio voltava a aparecer e queríamos mais, sempre mais. Se ele não pudesse nos atender, poderíamos nos deprimir, se não nos quisesse mais por perto, poderíamos, nós mesmas, nos abandonar, potencializando a dor da rejeição como uma autopunição.
Quantas coisas perdermos nesta caminhada? Quantos dias poderiam ter sido mais alegres, quantas risadas poderiam ser dadas, quantos novos amigos poderíamos ter feito, quanto tempo e quanta energia poderíamos ter dedicado a nós mesmas em busca de nossos sonhos e realizações?
Mas não. Usamos esta energia, este tempo precioso, desviando de nossa meta principal: a nossa responsabilidade, somente nossa, por nossa felicidade, alegria, saúde emocional, conquistas, vitórias. Pensávamos que a felicidade era algo não muito valioso: a colocávamos nas mãos de quem quer que seja para que pudéssemos fugir à nossa responsabilidade.
É mais fácil dizer que sou infeliz porque o outro me rejeitou, me abandonou ou não correspondeu às minhas expectativas do que assumir que não dediquei meu tempo, energia e vontade em busca daquilo que eu, somente eu, poderia conseguir por mim e para mim.
Mas, sempre é tempo de saber que podemos ( e devemos!) nos empoderar novamente, afinal, sempre tivemos este poder em nossa essência, apenas o colocamos na mão do outro.
Tomando ciência e posse , tomando para si esta responsabilidade, estaremos com o caminho aberto e iluminado para ir em busca do que queremos, e não mais esperar que o outro seja o responsável pelo nosso riso ou pelo nosso pranto. Nós tenho escolhas, e escolhemos ser felizes!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Trazendo o fundo à tona do poço

No mês de julho, os grupos de Amor-Exigente trabalham o princípio Preparador, que diz: "Tomar atitude precipita a crise". Durante muito tempo ouvimos dizer que para que o dependente químico pedisse ajuda era preciso que ele chegasse ao fundo do poço. Mas afinal, qual o preço deste tal fundo do poço? A que situações todos nós estamos sujeitos até que este fundo apareça? Terá a família que assistir de camarote a derrocada de um ente querido na esperança dele pedir ajuda? E ainda haverá tempo de ser ajudado quando esta hora chegar?
É sobre precipitar a chegada desta hora que o sétimo princípio de Amor-Exigente trata. Sobre tomar atitudes que farão com que uma crise se instale na família e algo se modifique. Se até o momento, todos os comportamentos paralisados da família tem facilitado a manutenção do comportamento disfuncional do dependente químico, vamos trabalhar com a hipótese de que novos comportamentos vão mobilizar o sistema familiar, causar estranhamento e mudança nos comportamentos do usuário.
Mas, é claro, que essa situação não é assim tão fácil. Toda crise é um momento difícil e se não for bem administrada só vai piorar a situação. E, além de tudo, os codependentes tem receio de provocar crises. Eles tem preferido, até aqui, deixar as coisas como estão, aceitar, negar, fazer de conta que está tudo bem, e assim, as coisas foram só piorando.
É hora de agir, mas, para isso, é preciso preparação.
Um plano de ação, definindo o alvo, fixando objetivos, formulando as estratégias e as executando é a proposta do Amor-Exigente.
E tudo isso, você pode aprender ao lado de pessoas que, como você, vivenciam a mesma problemática e já passaram por situações similares, e com sucesso.
Procure um grupo de Amor-Exigente e prepare-se para tomar uma atitude e mudar a situação!
www.amorexigente.org.br

terça-feira, 2 de junho de 2015

Desligamento Emocional


Este tema , tão importante e debatido nos grupos de apoio, nos ensina uma premissa básica para a saúde mental: o distanciamento da situação problema. Porém, para os codependentes, com suas dificuldades em relação ao apego , esta "façanha" não é assim tão simples. Para muitos, distanciar-se parece representar "abrir mão". Mas de quê? Ou de quem? Seria do ente querido ou de algo com que ele - o codependente - ainda não sabe lidar, como, por exemplo o controle? Distanciar-se do problema, desligar-se emocionalmente da pessoa cujos comportamentos lhe adoecem não seria uma forma de perder o controle sobre a situação? "Afinal, se eu não estiver à frente da situação, o que será do outro?", pensa ele. E, inconscientemente sabe que, sem o outro e, principalmente, o problema do outro, o que será dele mesmo? Afinal, a vida vem girando em torno do problema do outro.
Porém, quando exauridos pela dor, cansados de repetir padrões, comportamentos disfuncionais, já mais conscientes das consequências danosas das reações codependentes, muitos já experimentam o desligamento emocional com a real vontade de fazer dar certo. E assim, enfrentam, é claro, as dificuldades de lidar com vários sentimentos controversos durante o processo, como a culpa, por estarem se desligando quando acham que deveriam estar fazendo sempre, mais e mais, como a pena, quando são confrontados com a manipulação consequente da própria mudança de seus comportamentos, entre outras emoções.
O importante é lembrar que é somente quando nos distanciamos do problema é que podemos vislumbrar a sua real dimensão, a sua verdadeira perspectiva. Dentro do "furacão" pouco podemos fazer para nos libertamos dele. Portanto, desligar-se ou distanciar-se não é um ato de egoísmo, mas um ato de amor. Aquele amor de verdade, que realmente transforma as situações em algo melhor.